quinta-feira, 4 de setembro de 2008

The British Virgin Islands

Foi objectivo deste blogue a divulgação das nossas experiências de patrão. Foi ideia informar para que outros possam repetir as boas e evitar as más ....
Com algum atraso e alguma repetição, considerando que esta foi uma viagem de férias de 2006, proponho-me deixar aqui alguns momentos bem vividos.
Ilhas Virgens Britânicas para quem não conhece, são parte do arquipélago das Ilhas Virgens, partilhado administrativamente pelos Estados Unidos, as ilhas mais a SW e a Inglaterra as a NE.
Formou-se um grupo, que inicialmente se configurava de 10 pessoas, mas que felizmente, para conforto dos integrantes finais, se limitou a 7.
Nomes próprios apenas, Márcia, Mónica e Teresa, as marujas, Francisco, Nelson e Nunos, pai e filho, no contingente dos barbudos ...
Todos equipados com Tshit's aluzivas ao evento, onde o esquema do arquipélago foi evidenciado.
Imagem da primeira manhã, antes de se zarpar
à aventura marítima ....
Antes porém havíamos viajado de Lisboa a Antuérpia, depois a St. Marten e finalmente a Tortola.
O Beneteau de 50' aguardava-nos em Road Town.
Na primeira manhã, enquanto uns se dedicaram à aquisição e guarda dos mantimentos, outros trataram da confirmação do charter, documentação, pagamentos, vistoria às condições do barco, etc.
Considerando que o essencial estava funcional, ignorou-se detalhes de falta de alguns elementos de electrónica hoje indispensáveis, como o radar e GPS inoperativos, por exemplo. Coisas de somenos importância para quem voou de St. Marten a Tortola num teco-teco dos anos 60 e depois "chocalhou", do aeroporto à marina, numa carrinha táxi, com volante para condução à direita em tráfego à esquerda, por estrada estreita, sinuosa e movimentada, um motorista perfeitamente alucinado por nos impressionar com as suas virtuosidades de piloto de ralis ....
Nós já estávamos por tudo.

Concluídas as preliminares, zarpamos ao final da manhã, com destino, às Litle Sisters, melhor dizendo, para Norman Island, adoptando uma proa verdadeira de 189º.










Amanhã há mais.....

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nem só de mar vive o homem


(Formentera, Baleares de 21 a 30 de Julho)

A vida decorre plácida.

Eu disse plácida? Desculpem, queria dizer que os marinheiros estão sempre a trabalhar, lavando a embarcação, polindo os metais, vigiando as vigias, cozinhando (enquanto há gás, sim que o gás em garrafinhas pequenas a alimentar a populaça do solaris não é eterno, ao contrário do atum , o leite com chocolate, as latas de cogumelos, que aparecem na mesa sem ser convidadas, o café solúvel e os flocos vermelhos de Kellogs).

Eis um exemplo de raro momento de lazer em que o cansaço sulcado nos rostos rudes e as mãos calejadas de tanto labor podem repousar em esparsos lapsos de tempo roubados às duras lides do mar.

Assim se esteve por ali, dias difíceis entre ventos inexistentes e águas límpidas, convés permanentemente ilustrado com cabelos de damas descuidadas e batatas fritas lays esmagadas e encrustadas na teca.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Guarda Costeira em ensaio

Um tudo nada semelhante ao filme cá posto pelo Miguel, eis uma sequencia de imagens de um teste nautico da Guarda Costeira dos EUA, com embarcação de 12m, em Morro Bay (California) a 4 de dezembro de 2007.

As ondas eram apenas de 5 a 7 metros.








E até se safaram bem....


'EXISTEM OS HOMENS QUE ESTÃO VIVOS, OS QUE ESTÃO MORTOS E OS QUE SE FAZEM AO MAR.'
Victor-Marie Hugo [ 26 fev 1802 , Besançon - 23 mai 1885, Paris]

fotos recebidas por e.mail - desconheço a autoria.


terça-feira, 26 de agosto de 2008

A ilha do tesouro


A 21 de Julho o Solaris está pela manhã ancorado em Formentera.


A ilha é uma sucessão de ancoradouros e praias, protegidas dos ferros por boias que se alugam por dois dias, não renováveis, sem custo, mas não sendo impossível permanecer mais tempo caso haja boias disponíveis.

Formentera é protegida de campistas, fogo na praia, arborização, construção em altura, mas não resistirá ao tempo. Nós, as formigas, haveremos de a delapidar a seu tempo. Aproveitemos, pois, enquanto os inumeros ferries, barcos de toda a classe, gente ávida de explorar a ilha ou algum autarca bramando pelo progresso não a varra do mapa.

Benvindos a este tesouro no meio do Mediterrâneo.

Por do sol em Sines


Da porta da minha casa
Vejo, por vezes coisas destas
Dizem: amanhã fará calor

Já com a máquina na mão
E antes que tarde se faça
Click, click, dois inatantâneos.


Verão, 2008

Adamastor, singela homenagem....


Navegando no “Google Earth”, lá para os lados de Maputo, dei com uma foto do Adamastor.
Aparentemente abandonado, avançado estado de degradação de improvável recuperação.
É a morte de um sonho tornado realidade…




Nos idos anos sessenta, um velejador do então Clube Naval de Lourenço Marques (Maputo), imaginou a possibilidade de uma equipa do clube participar na 1ª regata Cabo – Rio de Janeiro.
O Horácio, para nós o “capitão maravilhas”, não era homem para desistir das suas “loucuras” ….
Procurou apoios, porém, os primeiros contactos não lhe deram a abertura desejada.
Todavia, projectou um veleiro, a partir do seu “flying dutchman”, com cerca de 12 metros e preparou-se para a sua construção nos estaleiros do clube.
Entretanto, alguns velejadores foram, entretanto, acarinhando a ideia, daí resultando uma comissão que tratou de congregar, então, os recursos humanos e materiais, os apoios privados e oficiais, para a aquisição de um veleiro capaz de tal empreendimento.
Adquirido o casco, o resto foi construído e equipado pelos candidatos a tripulantes e alguns voluntários.



Assim se fez o Adamastor, o sonho tornado realidade.





E lá partiram os “sete magníficos”, alcunhada assim a equipa de sete, Horácio Coelho da Silva, obviamente, António Ruben da Silva Domingues, Álvaro Récio, Eurico dos Reis Pacheco, José António Nogueira dos Santos e Vasco Romão Duarte, todos sob o comando de António Alva Rosa Coutinho.






A classificação final foi o que menos importou à data, sim a felicidade que não apenas da equipa, mas de todos os que os apoiaram no Clube Naval.

Hoje, trinta e sete anos depois, faz-me pena saber do Adamastor em tão mau estado.Acredito que, bem conservado e actualizado, seria ainda bem capaz de novas travessias.



imagens: Carlos J. Carvalho in Panoramio fotografias de Carlos_Carlos
Adamastor, Sete nas rotas de quinhentos, por Alvaro Récio

De “Sete magnificos” alcunhados foram
Os amigos velejadores
Que ao Brasil aportaram
Desde o Cabo em atlânticos mares

Adamastor dito com vaidade,
O outro magnifico, prós mares desenhado
Ideia do Horácio maravilhas
Das idas à Inhaca e outras ilhas
Lá juntou um grupo bem cuidado
A fazer do sonho, realidade.....

singela homenagem de NBP

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Patrão Patta em águas turcas



NAVEGANDO EM ÁGUAS TURCAS








Rumei para leste
Para um país chamado Turquia.
Uns dizem que é Europa,
Outros, que é na Asía!





Embarcando em lindo veleiro
Em águas do Mediterrâneo navegámos.
Mas de velas, nem cheiro
E a motor sempre andámos!






Bem lindo foi o passeio
Naquelas águas nada frias,
E por isso vos aconselho
A verem as fotografias.



























Tentado seria a dizer "letra e musica", mas na realidade é ..... verso e fotografia do nosso patrão Luis Patta.


















Qual "paxá" e muito "chic"
Vais vivendo belos dias...
E nos alegrando, aqui, no Patrões de Sines
Amigo Patta, não afines
Por te publicar as fotografias
Mais os versos da tua "bic"

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Um oceano de plástico


UM ALERTA
RESULTANTE DO DESLEIXO E IGNORÂNCIA
TEMOS UM OCEANO DE PLÁSTICO




Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração, são propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, porém, também o tornam um dos maiores vilões ambientais.
São produzidos, anualmente, cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acaba nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.
No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros.
Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico.
Segundo os seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.
O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.
A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'. Pesquisadores alertam para o facto de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.




Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.



E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.
Ver essas coisas sempre servem para que nós repensemos os nossos valores e principalmente o nosso papel frente ao meio ambiente, ou o ambiente em que vivemos.